segunda-feira, 23 de junho de 2014

Depressão

Mais um dia de trabalho: Catherine levantou-se, lavou vagarosamente o rosto com olheiras fortes e lágrimas que escorriam pela cara até chegar ao colarinho da sua camisa, arrastou-se até à cozinha para preparar um café forte, vestiu-se com cuidado e calçou-se sem vontade, fazendo um esforço para chegar até à porta sem voltar para a cama.
Quando Bob morreu, todo o peso da vida lhe subira para as costas, caindo vezes sem conta numa profunda tristeza.
Quando chegou ao trabalho, Joan, a administradora da sua secção, lembrou-a como sempre, que a empresa tinha horários para cumprir, relatórios para entregar, viagens de negócios para fazer,...             Catherine apenas sussurrou ao seu ouvido: a vida não é um mar de rosas, mas um mar de espinhos! De seguida, foi Sarah que lhe entregou um monte de papéis que precisavam de ser classificados e carimbados. E sem falta, veio também a Allana para lhe entregar o correio e as cartas que precisavam de ser enviadas novamente.
A única presença que lhe agradou foi a de Emily, a sua melhor amiga, e que por sorte era sua colega. Essa sim era uma verdadeira amiga que sempre estivera presente, nas boas e nas más situações. Mas desta vez a sua presença devia-se a algo mais importante: Albert tinha tido um acidente, o que exaltou Catherine.  Ao receber esta notícia, Catherine deu um pulo da cadeira e correu pelo corredor até chegar ao elevador, mas como este estava a demorar muito, decidiu ir pelas escadas, esquecendo-se que tinha deixado Emily sozinha.
Após ter chegado ao hospital, Catherine encontrou Tim que a informou que o seu sobrinho se encontrava em estado grave, com um elevado risco de morrer. Catherine ajoelhou-se no meio do corredor chorando ruidosamente e pedindo justificação para que tudo aquilo lhe estava a acontecer. Quando se acalmou, ligou a Emily e contou-lhe tudo. Esta saiu imediatamente da empresa e foi ter com Catherine para a apoiar como fizera toda a vida, tentando animá-la e sofrendo com ela.
Passadas algumas horas, o médico saiu do consultório e dirigiu-se a Catherine, a Tim e a Emily com uma expressão triste e disse-lhes que infelizmente, Albert não resistira e acabara por morrer apesar de todas as tentativas para o ajudar.
Mais uma vez, Catherine viu-se perdida tal como quando perdera o seu marido. Mas como sempre fizera, Emily apoiou-a. Por muito estranho que parecesse, desta vez, Catherine dispensou toda a ajuda e nesse dia não voltou ao trabalho. Foi para casa.
Esta situação foi a gota final para Catherine, pois nos dias seguintes não houve notícias dela. Tim, que para além de ser pai de Albert, era carteiro, ficou intrigado por ver que a caixa do correio de sua casa estava cheia. Então, resolveu falar com Emily, que não adiantou qualquer informação, pois também não sabia de nada.

No dia seguinte, foram a sua casa, bateram à porta e tocaram à campainha, mas não obtiveram resposta. Contactaram imediatamente as autoridades policiais, que logo chegaram e abriram a porta. Catherine encontrava-se ajoelhada a um canto da casa de banho: no seu rosto sobressaíam os olhos inchados e avermelhados, por onde desciam as lágrimas até chegarem à camisa; os seus braços apresentavam vários cortes que formavam diferentes e esquisitas figuras; o seu corpo encontrava-se mais magro e desmazelado; a roupa que vestia estava suja de maquilhagem de limpar o seu rosto; os seus pés estavam descalços; e o seu cabelo tinha sido cortado de uma forma estranha que demonstrava rebeldia.
Por tudo isto, Catherine foi internada numa clínica para recuperar, pois foi-lhe diagnosticada uma depressão tão grave que corria o risco de ficar para toda a vida.  
Ângela

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