Mais um dia
de trabalho: Catherine levantou-se, lavou vagarosamente o rosto com olheiras
fortes e lágrimas que escorriam pela cara até chegar ao colarinho da sua camisa,
arrastou-se até à cozinha para preparar um café forte, vestiu-se com cuidado e
calçou-se sem vontade, fazendo um esforço para chegar até à porta sem voltar
para a cama.
Quando Bob
morreu, todo o peso da vida lhe subira para as costas, caindo vezes sem conta
numa profunda tristeza.
Quando chegou
ao trabalho, Joan, a administradora da sua secção, lembrou-a como sempre, que a
empresa tinha horários para cumprir, relatórios para entregar, viagens de
negócios para fazer,... Catherine apenas
sussurrou ao seu ouvido: a vida não é um mar de rosas, mas um mar de espinhos! De
seguida, foi Sarah que lhe entregou um monte de papéis que precisavam de ser
classificados e carimbados. E sem falta, veio também a Allana para lhe entregar
o correio e as cartas que precisavam de ser enviadas novamente.
A única
presença que lhe agradou foi a de Emily, a sua melhor amiga, e que por sorte era sua colega. Essa sim era uma verdadeira amiga que sempre estivera presente, nas
boas e nas más situações. Mas desta vez a sua presença devia-se a algo mais importante:
Albert tinha tido um acidente, o que exaltou Catherine. Ao receber esta notícia, Catherine deu um
pulo da cadeira e correu pelo corredor até chegar ao elevador, mas como este
estava a demorar muito, decidiu ir pelas escadas, esquecendo-se que tinha
deixado Emily sozinha.
Após ter
chegado ao hospital, Catherine encontrou Tim que a informou que o seu sobrinho se encontrava em estado grave, com um elevado risco de morrer. Catherine
ajoelhou-se no meio do corredor chorando ruidosamente e pedindo justificação
para que tudo aquilo lhe estava a acontecer. Quando se acalmou, ligou a Emily
e contou-lhe tudo. Esta saiu imediatamente da empresa e foi ter com Catherine
para a apoiar como fizera toda a vida, tentando animá-la e sofrendo com ela.
Passadas algumas
horas, o médico saiu do consultório e dirigiu-se a Catherine, a Tim e a Emily com
uma expressão triste e disse-lhes que infelizmente, Albert não resistira e acabara por morrer apesar de todas as tentativas para o ajudar.
Mais uma
vez, Catherine viu-se perdida tal como quando perdera o seu marido. Mas como
sempre fizera, Emily apoiou-a. Por muito estranho que parecesse, desta vez,
Catherine dispensou toda a ajuda e nesse dia não voltou ao trabalho. Foi para
casa.
Esta
situação foi a gota final para Catherine, pois nos dias seguintes não houve
notícias dela. Tim, que para além de ser pai de Albert, era carteiro, ficou intrigado por ver que a caixa do correio de sua casa estava cheia.
Então, resolveu falar com Emily, que não adiantou qualquer informação, pois
também não sabia de nada.
No dia seguinte, foram a sua casa, bateram à porta e tocaram à campainha, mas
não obtiveram resposta. Contactaram imediatamente as autoridades policiais, que logo
chegaram e abriram a porta. Catherine encontrava-se ajoelhada a um canto da
casa de banho: no seu rosto sobressaíam os olhos inchados e avermelhados, por
onde desciam as lágrimas até chegarem à camisa; os seus braços apresentavam
vários cortes que formavam diferentes e esquisitas figuras; o seu corpo
encontrava-se mais magro e desmazelado; a roupa que vestia estava suja de maquilhagem de limpar o seu rosto; os seus pés estavam descalços; e o
seu cabelo tinha sido cortado de uma forma estranha que demonstrava rebeldia.
Por tudo isto, Catherine foi internada numa clínica para recuperar, pois foi-lhe diagnosticada uma depressão tão grave que corria o risco de ficar para toda a vida.
Ângela
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