segunda-feira, 9 de junho de 2014

O Caldo de Pedra (versão 2)

O Caldo de Pedra
Ato 1
 Cena 1
(Surge um frade vestido com um hábito muito estragado e velho, com umas olheiras bastante profundas. Para junto a uma porta de uma casa velha, mas bonita.)

Frade (abre a porta e grita) – Boa noite, ó da casa.
Lavrador (abre a porta juntamente com a mulher, mostrando-se com uma roupa castanha muito suja. As suas barbas cobrem o seu pescoço e fala arrogantemente) – Que queres?
Frade – Já que somos todos irmãos, podeis dar-me alguma coisa que se coma ou beba? Deus irá compensar-te, meu irmão.
Lavrador – Não tenho possibilidades para tal.
Frade (suspirando) – Queria fazer um caldinho de pedra. (Pega numa pedra do chão, sacode-lhe a terra e olha para ela atentamente)
Lavrador e sua mulher (rindo-se) – O quê?! Ahahahah! Caldo de pedra?! Ahahaha!
Frade – Estão a rir-se?! Então, nunca comeram caldo de pedra?! Só lhes digo que é muito bom!
Mulher do lavrador – Sempre quero ver isso, ahahah!

Ato 2
Cena 1
(Frade entra dentro de casa. Há uma mesa redonda no centro da cozinha e a lareira está acesa.)

Frade (a sorrir) – Se me emprestassem aí um pucarinho…

(A mulher do lavrador dá-lhe uma panela de barro)

Mulher do Lavrador – Tome lá, mas tenha cuidado!
Frade (enche a panela de água) – Agora é só pôr a pedra. (põe-na dentro da panela) Não se preocupe que vai ficar uma sopa de comer e chorar por mais! (Fazendo uma pausa) Se me deixassem pôr a panelinha ao pé das brasas ficaria muito melhor.

(O Lavrador e a sua mulher acenam ao mesmo tempo)

Frade (põe a panela ao lume e esta chia) – Com um bocadinho de unto é que o caldo ficava um primor.
Mulher do lavrador (pega no unto) – Tome lá.
Frade – É só mais isto. (e põe o unto na panela)

(Seguem-se momentos de espera enquanto a panela ferve e os donos de casa mostram-se pasmados)

Frade (prova o caldo) – Está um bocadinho insosso, bem precisa de uma pedrinha de sal.
Mulher do Lavrador – Tome o sal.
Frade (tempera e prova o caldo) – Muito melhor! Mas com uns olhinhos de couve ficava que os anjos o comeriam.
Mulher do lavrador (entrega-lhe duas couves tenras) – Aqui estão as couves.
Frade (limpa as couves e ripa-as com os dedos, deitando as folhas na panela) – Muito obrigado. Um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça…
Mulher do lavrador (vai buscar o chouriço e estende-lho) – Tem aqui o chouriço, mas não abuse da sorte.
Frade (coloca o chouriço na panela e, enquanto este coze, tira do alforge o pão. Arranja-se para comer com vagar) – Olhe, chegue aqui. Veja lá se não cheira bem…
Mulher do lavrador – Cheira, pois!

(Frade come o caldo e lambe o beiço. Despeja a panela e a pedra fica no fundo)

Lavrador – Ó senhor frade, então e a pedra?
Frade- A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez. (sorri com ar irónico)
Carolina Oliveira nº9 8ºB

Beatriz Calado nº7 8ºB

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