Ato I
Cena I
O frade entra em cena, vestido
com uma longa veste castanha, de onde sobressai a sua pele pálida. No cenário,
junto a uma casa vermelha, vêem-se pequenos flocos de neve. Estatura média, bem
constituído, com sobrancelhas carregadas, cabelo postiço e um bigode bem
aprumado.
Frade
– (batendo
à porta) – Não querem dar uma
esmolinha aqui ao frade?
Lavrador
– (vestido
com um colete e, com umas calças largas e ensebadas) – Não, não! Tu daqui não levas nada! Vai-te lá
embora!
Frade – Vou ver se faço um caldinho de pedra. (pegando numa pedra, sacudiu-lhe a terra e
pôs-se a olhá-la para ver se era boa para fazer um caldo) Parece boa!
Gente da casa – Ah! Ah! Ah! Agora uma sopa de pedra! Havia de ser
bonito!
Frade – Então, nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo
que é uma coisa muito boa!
Gente da casa – Sempre queremos ver isso.
Frade – (lavando
a pedra) – Era isso mesmo que eu queria ouvir! Se me emprestassem aí um
pucarinho, até dava uma ajudinha.
Gente da casa – (dando-lhe uma
panela de barro) – Faça favor!
Frade – Ora, chegue-se aqui. Para começar, enche-se de
água e deita-se-lhe a pedra dentro. Agora se me deixassem estar a panelinha aí
ao pé das brasas…
Gente da casa – Claro que sim!
Frade – Oi! Já está quase pronta! Com um bocadinho de
unto é que o caldo ficava de primor! Era como a cereja no topo do bolo!
Gente da casa – Aqui tem o unto que pediu! (observando o caldo) Nunca vi nada assim! Sim, senhor! Estou para
ver o que vai sair daí.
Frade – Está um bocadinho insosso; bem precisa de uma
pedrinha de sal. Venha cá provar!
Gente da casa - Aqui está o sal para o seu cozinhado.
Frade – Está quase pronto. Agora com uns olhinhos de
couve, ficava que os anjos o comeriam.
Dona da casa – Trouxe-lhe duas couves tenras da minha horta.
Frade – É só limpá-las, ripá-las com os dedos e deitar as
folhas na panela. A água já está a ferver. Ai! Um naquinho de chouriço é que
lhe dava uma graça…
Dona da casa – (irónica)
– Tome lá um pedaço de chouriço! Não quero que lhe falte nada!
Frade – Para terminar, bota-se o chouriço na panela e só
esperar que se coza. (tirando do alforge
pão e arranjando-se para comer) Cheira bem que é um regalo! (à parte) Dei-lhes a volta “com uma
pinta do caneco”! Caíram que nem uns patinhos!
Gente da casa – Comeste e lambeste o beiço! Devia estar mesmo
boa!
Frade – Estava deliciosa! É pena é que não tenha sobrado
nada para vocês!
Gente da casa – Ah! Não faz mal! Mas, ó senhor Frade, então a
pedra?
Frade – A pedra, essa, lavo-a e levo-a comigo para a
próxima vez! Hi! Hi! Hi! (concluindo e
levantando-se para partir) Viram! Não me queriam dar nada, mas eu comi na
mesma! Ah! Ah! Ah!
Elaborado por:
Adriana
Carvalho, nº1
Beatriz Boiça,
nº5
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